BARÃO DE VILA VIÇOSA

  Barão de Vila Viçosa e Santo Amaro da Purificação
 

 

Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque.
Nascido em 13-III-1841, em Santo Amaro - Bahia, ali faleceu a 19-V-1915.

Barão de Vila Viçosa, em 26-IV-1879.

Deputado Federal à Constituinte (1891) e primeira legislatura (1891-93). Escritor e musicista.

Filho de Inácio Pires de Carvalho e Albuquerque e D. Maria Violante de Mattos.



Foto: Tela do Barão de Vila Viçosa, na residênca de seus descendentes, em Santo Amaro - Bahia.



 

Descendente da Casa da Torre, o Barão de Viçosa era sobrinho do último Morgado - Visconde da Torre de Garcia D'Avila.

Possuidor de grande fortuna, dedicou-se à política e às letras, afeiçoando-se primeiro ao jornalismo político combatente, no tempo em que os partidos liberal e conservador militavam no Brasil. Escrevia com pureza de estilo e elegância.

Sua instrução foi das mais sólidas e suas orações quer escritas, quer faladas, dominavam o público e as assembléias. De todos os escritores e oradores do seu tempo, não falando em Arlindo Fragoso, fora o que mais sólida cultura clássica possuíra.

Sua biblioteca, das mais ricas, e infelizmente dizimada, causava admiração aos que a visitavam, não só pelos milhares de livros como pela seleção das obras.

Em seus discursos e escritos havia a força e a veemência da expressão.

Poucos como ele se mantinham na beleza da forma, na clareza das idéias e pensamentos, no cerrado da argumentação, na solidez dos raciocínios.

Conhecia com profundeza, lendo nos originais, as literaturas grega e romana.

Não só orador e escritor, senão que fora um advogado notável.

Em Santo Amaro, onde nasceu e viveu, fez brilhar a tribuna do júri em vários episódios notáveis.

Santo Amaro, daqueles tempos, causava admiração, como centro de grande cultura, pontificando, ali, como expoentes da cultura - Viçosa, Rodrigo Brandão, Arlindo Fragoso, Antonio Carvalhal, Gustavo Dutra, Octaviano Moniz Barreto, Odilon Santos e outros.

Viçosa traduziu, do latim em prosa, para o português em verso "Da Imitação de Cristo", escreveu o Poema - "Mãe de Deus", que foram publicados, além de trabalhos que deixou, inéditos, como Gramática Portuguesa (Cartas Filosóficas) e outros, que se conservaram em poder de membros da família." (Braz do Amaral)


 

Da Imitação de Cristo

Traduzida, do latim em prosa, para o português em verso, pelo Barão de Vila Viçosa. 1901. Tipographia Oriente, Santo Amaro - Bahia.

 

 

 


 

 


 

NOTA: Possuímos, no acervo do Memorial da Casa da Torre, um exemplar original da preciosa obra "Da Imitação de Christo" - 1901. Tipographia Oriente, Santo Amaro - Bahia e um exemplar do primoroso romance - " NINI" -, cuja primeira edição, de 1 de junho de 1895, foi prefaciada por Demétrio d'Araújo e a terceira edição, Imprensa Oficial, 1982, prefaciada pela neta do Barão de Vila Viçosa - Maria Violante Pires Ribeiro.



 

 

Descendência

O Barão de Vila Viçosa deixou descendência natural, legitimada no Conselho Ultramarino.


 

 

 

 

 

Foto: Tela da Sra Francelina Maria da Conceição, na residênca de seus descendentes, em Santo Amaro - Bahia.

 

 

 

 
 
O Barão de Vila Viçosa teve os seguintes filhos, com D. Francelina Maria da Conceição:

(F1) José Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, engenheiro agrônomo.

(F2) Antonio Pires de Carvalho e Albuquerque, engenheiro agrônomo.

(F3) Francisco Antonio Pires de Carvalho e Albuquerque, engenheiro agrônomo.

(F4) Maria José Pires de Aragão.

(F5) Maria Francisca Pires de Aragão e Silva, casada com Francisco Cruz Silva, tendo os filhos: Antonio Pires Cruz Silva, engenheiro civil e Aldamira Pires Cruz e Silva, falecida.

(F6) Maria Augusta Pires de Aragão Tavares, casada com José Augusto Tavares, falecidos.

(F7) Maria da Glória Pires de Aragão Ribeiro, casada com Seraphim da Silva da Costa Ribeiro, tendo onze filhos:

(N1) João Pires Ribeiro, médico, casado com Suzana Buisine Ribeiro, tendo filhos: Maria Buisine Ribeiro, Celeste, Maria da Puruficação, Francisco, Domingos, Maria da Conceição, Tereza e Maria Veronica.

(N2) Maria da Anunciação Pires Ribeiro.

(N3) Maria Violante Pires Ribeiro.

(N4) Bel. Antonio Pires Ribeiro, falecido.

(N5) Mario Pires Ribeiro, casado com Laudionora Alves Ribeiro, tendo os seguintes filhos: Marina, Marinalva, Maria da Glória, Mário, Marlene, Seraphim da Costa Ribeiro Neto, Antonio e João Pires Ribeiro Sobrinho.

(N6) José Pires Ribeiro, funcionário estadual,

(N7) Maria de Lourdes Pires Ribeiro,

(N8) Maria Catarina, Pires Ribeiro,

(N9) Robério Dias Pires Ribeiro,

(N10) Maria José Pires Ribeiro e

(N11) Garcia D'Avila Pires Ribeiro, funcionário da Petrobrás.


 

O Centenário de Glorinha, 1884-1984

Maria da Glória Pires de Aragão Ribeiro - Glorinha -, filha do Barão de Vila Viçosa e de Francelina Maria da Conceição, nasceu em 1884, numa das propriedades do seu pai - o Engenho Passagem -, transformado posteriormente em Usina Nossa Senhora da Luz da Passagem. Foi batizada na Capela de Nossa Senhora do mesmo local.

Após a morte da mãe do Barão - D. Maria Violante de Mattos -, viúva de Inácio Pires de Carvalho e Albuquerque, que criou os netos com o maior carinho e zelo, modou-se o Barão, com a família e todos os seus empregados, para o Engenho Brotas, ai fixando residência.

Os filhos do Barão, José Joaquim, Antonio e Francisco Antonio Pires de Carvalho e Albuquerque, engenheiros agrônomos diplomados pela Escola Imperial Agrícola, muito trabalharam pela realização da construção da Fábrica de açucar. O Dr. Francisco Antonio Pires de Carvalho e Albuquerque foi nomeado Fiscal do Segundo Distrito de Engenhos Centrais (IA) 4.SPE/AN, publicado no Diário Oficial da Bahia de seis de fevereiro de 1895, pp 2 e 3.

Maria da Glória aos quinze anos de idade foi residir com seu pai e irmãos em Santo Amaro, na Praça da Purificação, mudando-se após 5 anos, para uma chácara, comprada pelo Barão, denominada Rocinha do Barão, à Rua do Alecrim, no bairro do Sacramento, de onde saiu para se casar, no dia 30 de novembro de 1907, com o negociante Seraphim da Costa Ribeiro, santamarense, descendente do português Antônio da Costa Ribeiro, grande responsável pelo comércio de vinho importado de Portugal, para todo o Recôncavo Bahiano.

Maria da Glória construiu seu lar à Praça da Purufucação, onde abrigou, com todo o conforto a prole composta dos onze filhos - seis rapazes e cinco moças.

Noticiado na imprensa:

"Mais uma vez os parentes (onde se conta netos e bisnetos) e amigos de Maria da Glória Pires de Aragão Ribeiro, Glorinha, comemoraram na Cidade de Santo Amaro a data de seu aniversário, ela que neste ano teria comemorado 100 anos. Glorinha era filha do Barão de Vila Viçosa e Francelina Maria da Conceição e nasceu na Usina Nossa Senhora da Luz da Passagem, de seu pai, em 1884, tendo passado toda sua infância num casarão da praça da Purificação e na localidade conhecida em toda a cidade como Roça do Barão.
Maria da Glória e Cel. Seraphim da Costa Ribeiro casaram-se no dia 30 de novembro de 1907 e tiveram onze filhos, todos nascidos e criados em Santo Amaro e desde este tempo que os parentes e amigos comemoram a data de nascimento de Glorinha na propriedade que hoje é morada da família Pires de Carvalho e Albuquerque
."


 

A Escravidão

Foi sempre, o Barão de Vila Viçosa, um homem brando, que reconhecia no escravo um ser humano degradado pela sonegação da liberdade e consequente subserviência e, ainda, pela nostalgia do torrão natal em relação aos africanos. Assim, não exigia, o Barão, dos escravos, trabalhos extenuantes, limitando os meios coercitivos ao castigo estritamente necessário à manutenção da ordem e do respeito nos engenhos de sua propriedade.

Nos engenhos bem organizados do Barão de Vila Viçosa, tinham os escravos boa alimentação, senzalas aceitáveis, roupa distribuída semestralmente, baêta para o inverno, médico contratado, domingos e dias santos para folguedos (chegança e samba), liberdade para contrair, ou não, casamento e serviço religioso (missas) pelo natal, semana santa e na ocasião da botada do engenho fechado, durante o inverno.

Eram os escravos bem alimentados, com liberdade de fazer sua cosinha própria, dentro das raias da ração semanal.

Prova exuberante desse acerto foi a atitude dos seus cativos sexagenários, libertados pela Lei de 28 de setembro de 1885, os quais lhe foram rogar permitisse continuarem "escravos de meu Sinhô", repudiando a liberdade, sob garantia da alimentação e da indumentária, que estavam habituados a trocar pelo pouco trabalho exigido.

A Moagem

A botada do engenho, quando em outubro se iniciava a moagem das canas, era um dia festivo, em que, após a missa tradicional, entoavam, senhores e escravos, o hino do trabalho, todo engalanado o engenho, de flores, folhas policrômicas e papéis de fantasia. Era o Barão de Vila Viçosa, abolicionista, partidário da extinção da escravidão no Brasil, mediante justa indenização, argumentando que eram os escravos matriculados para pagamento dos impostos respectivos, o que estava a exigir o respeito de seu direito, arbitrariamente negado pelo Governo Imperial e esse desreipeito concorreu fortemente para a queda da monarquia.

 

FONTE:



Pesquisas de Maria Violante Pires Ribeiro, entregues a Christovão de Avila, em 1998, numa de suas visitas aos netos do Barão de Vila Viçosa: Iaiá (Maria Violante), Mariá (Maria de Lourdes), Catita (Maria Catarina), Ziza (Maria José) e Garcia D'Avila, no Solar dos Pires de Aragão Ribeiro, na Praça da Purificação, em Santo Amaro.
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Santo Amaro

 

Sítio Histórico

A capela de Santo Amaro e o Solar Paraíso foram as primeiras construções do que viria a ser a primitiva área urbana da cidade. A região era habitada pelos índios Caetés, Pitiguaras e Carijós. A primeira povoação, entretanto, nasceu às margens do rio Traripe, próxima ao mar, em 1557. A morte trágica de um jesuíta tornou o local amaldiçoado e fez os moradores, já na segunda metade do século XVII, se transferirem para as proximidades do rio Subaé onde os padres Beneditinos construíram a capela. A zona rural chegou a ter 61 engenhos e inúmeras casas de farinha, construídos à medida que o desenvolvimento chegava com a produção do açúcar, da farinha e do fumo.

A partir de 1700 o povoamento, nascido em volta da capela de Santo Amaro, deslocou-se para a praça de Nossa Senhora da Purificação, onde estão a Matriz e a Casa de Câmara e Cadeia. A cidade cresceu acompanhando o rio Subaé e a estrada que cruzava o rio e seguia paralela à sua margem. O município foi criado com o nome de Vila de Nossa Senhora da Purificação e Santo Amaro. Em sua história, Santo Amaro se destacou em movimentos de emancipação como a Revolução dos Alfaiates, as lutas pela Independência e a Guerra do Paraguai.

De traçado irregular, proveniente do século XVIII, o centro histórico se concentra na praça da Purificação, com casas e sobrados dos séculos XVIII e XIX. Da arquitetura religiosa e civil destacam-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação, com notável acervo de imagens e alfaias, painéis de azulejos e o sacrário e lampadário do altar do Santíssimo em prata; Casa de Câmara e Cadeia, da segunda metade do século XVIII; chafariz do século XIX, construído com material todo importado da Inglaterra, abastecia a população urbana; Santa Casa da Misericórdia; Igreja de Nossa Senhora do Amparo; a Igreja do Senhor Santo Amaro, inicialmente na zona rural deu início ao povoamento e atualmente fica na periferia da cidade, no sopé de uma elevação onde se encontra o sobrado do Engenho Paraíso, com senzala, alambique anexo e um belo visual do casario da cidade.

 

 

Terra de Artistas

Santo Amaro presenteou o Brasil com filhos ilustres como Caetano Veloso, Maria Bethânia, o artista plástico Emanuel Araújo, entre outras personalidades que tornaram famosa a terra morena do valente mestre capoeirista Besouro Cordão de Ouro e do mestre do maculelê, Popó. A poetisa Mabel Velloso, outra ilustre santamarense, define Santo Amaro como "o pedacinho mais antigo do Recôncavo Baiano".

Do seu massapê nasceram as canas mais doces e as mais doces histórias. Muita gente já contou e cantou coisas desses canaviais e muitos contaram e cantaram sem saber que assim procedendo legavam ao futuro uma lição bonita de uma terra bonita.

 


FONTE: Portal da Bahiatursa
www.bahia.com.br
- Santo Amaro- Visitado em 04/12/2003.

 

Fotos antigas de Santo Amaro

 
 
Vista Antiga de Santo Amaro da Purificação
 
 
Visão Panorámica do Centro da Cidade
   

Praça da Purificação
 
 
Prefeitura
 
 
 
Fonte da Praça da Purificação, trazida da Inglaterra e montada em Santo Amaro
 
Santa Casa de Misericórdia
   
     
Rio Subaé
   
 
O Conde. Foz do Rio Subaé. Antigo porto e ponto de saída do bonde para a cidade de Santo Amaro
   

 

 
Matriz Nossa Senhora da Purificação, na Praça da Purificação.
Edifício de elevado valor artístico, do início do século XVIII. Sua construção foi iniciada em 1706. Destacam-se as torres em terminação bulbo e os forros com pintura ilusionista, além de possuir o frontal, sacrário e lampadário do altar do Santíssimo em prata. A imagem da padroeira é de Leandro F. D. da Costa (1829).


Fotos - FONTE: Bem-vindo a Santo Amaro - Bahia, Brasil - UFBa. Disponível no endereço http://www.ufba.br/municipios/santo_amaro/welcome.html - Visitado em 04/12/2003.

 

BARÃO DE VILA VIÇOSA
 

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Christovão de Avila
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