HISTÓRIA
 
Garcia d'Ávila
Chegou à Bahia em 29 de março de 1549, com Tomé de Sousa - primeiro governador geral do Brasil.
Assoc. da Nobreza Histórica do BR
Lançada na Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos, em 14.jul.2007. Foi extinta em 12.nov.2011.
Uma Dinastia de Pioneiros
A História da Casa da Torre constituiu, em 1931, a memória oferecida por Pedro Calmon, ao Congresso, no IHGB.
"Nomes" do Visconde da Torre
"Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque Cavalcanti Machado de Avila Pereira", em inúmeros documentos.
1º Sistema de Telecomunicações
Sistema de sinalização (almenaras), sendo a capital avisada da aproximação de navios, invasores e piratas.
Barão de Vila Viçosa
Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque nasceu em 1841 em Santo Amaro e ali faleceu em 1915.
Castelo da Torre de Garcia d'Ávila
No Nordeste do Brasil, litoral norte do Estado da Bahia, encontram-se suas majestosas Ruínas.
Defesa Territorial
Cronologia de alguns registros bibliográficos.
A Independência na Bahia
Condecorados os três irmãos, os futuros Barão de Jaguaripe, Visconde de Pirajá e Visconde da Torre de Garcia d'Ávila.
Cartography
(National Archives of Canada).
O Morgado da Torre
Dez gerações se sucederam, por três séculos, até a extinção do regime de Morgadio no Brasil, em 1835.
Bibliografia
Acervo particular.


Diogo Álvares Caramuru

Um português, "homem nobre da Vila de Viana do Minho ..." (c.1475), viveu em Viana da Foz do Lima, hoje Viana do Castelo, de onde partiu para o Novo Mundo, naufragando em 1509 * na costa da Bahia, atual bairro do Rio Vermelho, quando muitos de seus companheiros foram mortos pelos índios Tupinambás. Faleceu em 1557, na Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos.



Após o massacre ocorrido, Diogo Álvares Caramuru, passou a conviver com os índios e o conhecimento adquirido dos costumes nativos, em muito contribuiu para facilitar o contato entre estes e os primeiros missionários e a administração portuguesa.

Fundou o primeiro núcleo contínuo, do colonizador europeu, onde hoje é o alto da Graça, na Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos. Sua povoação, denominou-a Vila Velha, onde se estabeleceram, além de Caramuru e sua família, outros de além-mar, alguns dos quais se casaram com filhos do próprio Caramuru, fidalgo da Casa Real de D. João III, em virtude de vários serviços prestados em benefício da Colônia.

 

Jerônimo de Albuquerque

No dia 10 de Março de 1534 Duarte Coelho Pereira se tornou o primeiro donatário a receber uma capitania no Brasil e de ter recebido o melhor lote da colônia, em uma zona que, alem de possuir as terras mais férteis e mais apropriadas à lavoura canavieira e ficava mais próximo de Portugal do que qualquer outra porção da costa brasileira e tinha 60 léguas de largura estendendo-se desde o Rio Igaraçu na ponta sul da Ilha de Itamaracá até a foz do Rio São Francisco.

No final de Outubro de 1534, partiu de Portugal com duas caravelas para Pernambuco tendo como acompanhante diversos lavradores pobres do norte de Portugal das províncias de Entredouro e Minho, e de vários fidalgos que entre eles se encontravam Jerônimo de Albuquerque e Vasco Fernandes de Lucena que se destacaram pelos seus decisivos serviços desenvolvido na colonização de Pernambuco e no dia de 9 de Março de 1535 a frota comandada por Duarte Coelho chegou ao seu destino contornando a Ilha de Itamaracá pelo canal sul e seguiu em direção a foz do Rio Igaraçu até ancorar em frente a velha feitoria que Cristóvão Jacques havia transferido do Rio de Janeiro em 1516 para a Ilha de Itamaracá, a sua capitania estabelecia limites com a de Pero Lopes e delimitava os antigos territórios tribais dos Caetés que eram aliados dos franceses e dos Tabajaras eventuais aliados dos portugueses, ali o donatário Duarte Coelho se estabeleceu.

Em 27 de Setembro de 1535 fundou a Vila de Cosme e Damião, cuja designação se manteve por muito tempo, pois o estabelecimento continuou sendo chamado de Igaraçu e, após estabelecer a vila o donatário, tratou de fincar um marco de pedra para demarcar o limite de sua capitania com a de Pero Lopes a nordeste de Igaraçu onde foi erguido um povoado que ficou conhecido como Sitio dos Marcos.





Tomé de Sousa


(Rates, 1503 — 1579) foi um militar e político português, descendente de Martim Afonso Chichorro e do Rei Afonso III de Portugal, filho bastardo do prior de Rates, João de Sousa, e de Mécia Rodrigues de Faria, tendo sido o primeiro titular da comenda da Ordem de Cristo em 1517.

 


No exército português, dentre outras importantes missões, participou de questões internacionais como a guerra contra os mouros no Marrocos e em Arzila, recebendo em recompensa, em 1535, o título de fidalgo.

Tomé de Sousa foi escolhido por Dom João III para ser o primeiro governador-geral do Brasil, recebendo um Regimento para fundar, povoar e fortificar a cidade de Salvador, na capitania real da Bahia. Chegou em 29 de março de 1549, acompanhado por mais de novecentas pessoas, entre soldados, colonos a degredados, com quem veio Garcia d'Ávila.

Foram recebidos pelo vianense Diogo Álvares, o Caramuru, que vivia entre os indígenas da Bahia desde 1509, fundador da primeira fixação comprovada do colonizador europeu, que se casou com uma princesa índia, batizada “Katherine du Brésil”, quando o conhecimento adquirido dos costumes nativos, durante quarenta anos, em muito contribuiu para facilitar o contato da administração portuguesa e dos primeiros missionários.

Manteve-se no cargo até 1553, sucedido por Duarte da Costa. Após seu mandato como governador-geral, em 1553, retornou a Portugal onde ocupou outros importantes cargos públicos.




Garcia d'Ávila (1o)


“Garcia d’Ávila (c.1528 - 1609) viveu muito tempo como agricultor e criador em Rates, em Portugal e amigo de Tomé de Souza, gozava de larga estima por parte do pai deste – o Prior. De sua imaginação jamais saiu a lembrança da Vila portuguesa e tanto é assim que ao fundar sua torre dera-lhe o nome de S. Pedro de Rates.” In: BARROS, Francisco Borges de. O Castelo da Torre de Garcia d’Ávila. BAHIA. Annaes do Archivo Público BA Bahia. Volume XXIV.

Chegou à Bahia em 29 de março de 1549, com Tomé de Sousa - primeiro governador geral do Brasil, sendo nomeado, no primeiro dia de junho, "feitor e almoxarife da Cidade do Salvador e da Alfândega".

Certos funcionários aceitaram cargos sem ordenado, arriscando-se a viver dos azares do negócio, tendo apenas "os prós e percalços que lhes diretamente pertencerem". Este foi o caso de Garcia d'Ávila, "criado" ou protegido de Tomé de Sousa. Como os soldos e serviços eram pagos geralmente em mercadorias e muito raramente em dinheiro, Garcia d'Ávila recebeu, em 15 de junho, seu primeiro pagamento - duas vacas, por 4$, assim começando sua longa jornada de sucesso.

Pelo esforço austero e inexcedível energia, durante a construção da Capital, Garcia d'Ávila foi recompensado com terras de Sesmarias, instalando-se inicialmente em Itapagipe, depois em Itapoã e Tatuapara, vindo a se tornar o primeiro Bandeirante do Norte.

Ao morrer, em 22 de maio de 1609, era Garcia d'Ávila o maior potentado da Colônia e, como vereador do Senado da Câmara, foi considerado uma das mais importantes individualidades políticas do seu tempo.



Uma Dinastia de Pioneiros - Pedro Calmon

A História da Casa da Torre - Uma Dinastia de Pioneiros constituiu, em 1931, a memória oferecida por Pedro Calmon, ao Congresso realizado sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e que obteve o seguinte parecer:

"A memória do Dr. Pedro Calmon desenvolve um dos assuntos mais interessantes da história colonial do Brasil, como seja o do devassamento e povoamento do longo trecho do nosso território, que vai da Bahia aos confins do Piauí. A Casa da Torre de Garcia d'Ávila atravessou dilatado período, que começa com Tomé de Sousa, em cuja companhia veio seu instituidor, e se prolonga aos últimos dias da colônia.

Sua significação histórica deriva da preponderante influência que a progênie mamaluca de Garcia d'Ávila conseguiu exercer sobre os destinos de nossa terra. Poderosos sesmeiros, destemidos bandeirantes, os descendentes daquele povoador conquistaram e dominaram os sertões baianos e projetaram-se pelo interior com Domingos Afonso Sertão e Domingos Jorge Velho, até as margens do Parnaíba.

Essa história estava por fazer. Há meio século, precisamente, o grande mestre Capistrano de Abreu lamentava que ainda não tivesse sido escrita. A contribuição do Dr. Pedro Calmon, baseada em grande parte em documentação inédita, principalmente dos arquivos baianos, sobreleva por isso mesmo de interesse e de importância.

Aplaudindo-a, a comissão é de parecer que seja aprovada.

S. S. 28 de dezembro de 1932. - A. Tavares de Lira, presidente. - Otávio N. Brito. - Rodrigo Otávio Filho. - Félix M. P. Sampaio. - Rodolfo Garcia. - Vanderlei Pinho. - Sousa Doca. - Alfredo Ferreira Laje. - Múcio Vaz. - Alcides Bezerra. - Heloísa Alberto Tôrres. - Naíde Vasconcelos."


 


A Torre de Garcia d'Ávila

Cumprindo o Regimento de D. João III - Rei de Portugal - Garcia d'Ávila 1o construiu, em 1551, o que ele chamou de "Torre Singela de São Pedro de Rates", depois o Solar e sua Capela de Nossa Senhora da Conceição, tendo o Castelo da Torre sido concluído em 1624, por seu neto e herdeiro Francisco Dias de Avila Caramuru.
A fortaleza, conhecida como a Casa da Torre, foi registrada por João Teixeira Albernaz II no mapa referente à Capitania da Bahia, publicado no Livro que Dá Razão ao Estado do Brasil de Diogo de Campos Moreno.



Primeiro Sistema de Telecomunicações

A história da Casa da Torre de mais de três séculos está intimamente ligada à história das Telecomunicações no Brasil, uma vez que foi naquela Torre de Garcia d'Ávila que se estabeleceu um primeiro sistema de comunicação à distância, no país, ligando-a à primeira capital do Brasil Colônia - a Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos.

Segundo registros históricos, fundada a nossa primeira capital em 1549 e construída, por Garcia d'Ávila 1o, a "Torre Singela de São Pedro de Rates", em 1551, os regimentos que eram dados aos capitães de navio que patrulhavam a costa passaram a nomear a Torre, por baliza de sua navegação.

Gabriel Soares (1584) encontrou-a "próspera e hospitaleira" e "onde navios têm boa abrigada e surgidouro"; e já em 1587 se compunha "de moradias e defensas, capela e baluarte vigilante onde ardiam, em circunstâncias especiais, fogos sinaleiros".

Colocada em situação privilegiada, a famosa base militar da Torre, guarnecia os caminhos que conduziam ao Nordeste, enquanto servia de atalaia ao tráfego marítimo, fiscalizando o movimento de embarcações que demandavam ao porto da Bahia, através de interessante semáforo, que teve destacada importância nos tempos das invasões holandesas, até que, em 1668, resolvera o Governo Geral estabelecer, oficialmente, aquele sistema de avisos entre as povoações litorâneas.


O então Morgado da Torre, Garcia d'Ávila 2o, encarregou-se dele, combinando os fachos (almenaras) de sinalização de seu baluarte, com um segundo facho na aldeia jesuítica de São João - hoje Jacuípe, o terceiro na aldeia do Espírito Santo - hoje Vila Abrantes, o quarto em Itapoã e o quinto em Rio Vermelho, já visível da fortaleza de Santo Antônio da Barra, sendo a capital avisada da aproximação de navios, invasores e piratas.

Telecomunicações - o nome já diz, quer dizer comunicações à distância: tele (do grego têle = ao longe) + comunicações.


 


O Castelo da Torre - Monumento Nacional

No Nordeste do Brasil, litoral norte do Estado da Bahia, encontram-se as imponentes Ruínas do Castelo da Torre de Garcia d'Ávila, principal sede do Morgado da Torre, também conhecido como Castelo Garcia d'Ávila, Torre de Garcia d'Ávila, Solar da Torre, ou Torre de Tatuapara ou ainda chamado de Casa da Torre.

Fica localizado no município de Mata de São João, em Praia do Forte, distante 80 km ao norte de Salvador, e 55 km do Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, seguindo-se pela recém construída Linha Verde - a Estrada Ecológica - numa região conhecida hoje por Costa dos Coqueiros.

O Castelo da Torre de Garcia d'Ávila integra um conjunto residencial-militar, compreendido pelo próprio Castelo, com sua Torre e seus anexos: o Forte Garcia d'Ávila, o Porto do Açu da Torre e sua Ambiência, formada esta pelas áreas adjacentes, delimitadas pelo tombamento (1938) e sua extensão posterior (1977).

Exemplar único de Castelo em estilo medieval construído na América, conforme Borges de Barros, foi a sede do maior latifúndio do mundo, dentro de uma área equivalente a 1/10 do território brasileiro, o que equivale às áreas de Portugal, Espanha, Holanda, Itália e Suíça, somadas.

O Castelo da Torre foi a principal sede da Casa da Torre de Garcia d'Ávila, onde se sucederam dez gerações, por três séculos. Sua história está registrada na conquista e no povoamento dos sertões do Nordeste do Brasil, participando da defesa da terra e da expulsão de piratas e invasores estrangeiros, assim como das lutas, havidas na Bahia, pela Independência e constituição do Império do Brasil.


 


A Casa da Torre nas Lutas pela Independência do Brasil, na Bahia

AFFONSO D'E TAUNAY, em sua obra Grandes Vultos da Independência Brasileira, publicação comemorativa do Primeiro Centenário da Independência Nacional - S. Paulo (Editora Melhoramentos de S. Paulo, 1922, pp 153-159), assim inicia o registro da participação da Casa da Torre, nas lutas pela Independência, na Bahia:

"Conhecem todos os que estudam a história do Brasil, com alguma pormenorização, o papel notável que à chamada Casa da Torre coube no desbravamento dos sertões do nordeste e na repulsa dos invasores estrangeiros.

Entre estes grandes feudatários devassadores do Piauhy, Maranhão, citam-se sobretudo, além do fundador Garcia de Avila, contemporâneo de Tomé de Sousa, os nomes de Francisco Dias de Avila e Garcia de Avila Pereira. Em fins do século XVIII extinguia-se esta ilustre estripe com o Mestre de Campo Garcia de Avila Pereira de Aragão, cujos vastos bens passaram à sua sobrinha Anna Maria de São José de Aragão, casada com José Pires de Carvalho e Albuquerque, alcaide mór de Maragogipe e depois Capitão Mór da Bahia e Secretário de Estado do Governo do Brasil.

Quando, em 1798, na Bahia ocorreu a conspiração, cujo desfecho se passou nos patíbulos do Campo da Pólvora, prestou José Pires de Carvalho e Albuquerque relevantes serviços ao governo.

Feliz casal, o do Secretário de Estado do Governo do Brasil e de D. Anna Maria de São José e Aragão! Três varões ilustres dele provieram: Joaquim, Antônio Joaquim e Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque:


Um deles - Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Barão de Jaguaripe, membro da junta administrava, ditatorialmente dissolvida pelo General Madeira, eleito para a junta revolucionária, aclamado seu presidente, é o chefe do Governo que dirige a Província em todo esse dificílimo período.O Barão de Vila Viçosa e Santo Amaro

Outro - o Coronel de Linha Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Brigadeiro graduado, Barão e depois Visconde de Pirajá, envolve-se nas primeiras conspirações; submetido a Conselho, retira-se para os seus engenhos, levanta os ânimos, arma soldados a sua custa e é quem primeiro se apresenta no campo de luta, de que saiu arruinado. O Barão de Vila Viçosa e Santo Amaro

Outro finalmente, o primogênito, que lhe havia de suceder, como sucedeu, nos bens e títulos da Casa - o Coronel Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Barão e depois Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, seguiu para o seu Castelo, onde organizou e de onde comandou a base de operações do exercito libertador, renovando os relevantíssimos serviços que na invasão holandesa prestara seu avô Francisco de Avila ... . " O Barão de Vila Viçosa e Santo Amaro

Medalha da Independência, também dita da Restauração da Bahia, foi criada por D. Pedro I, pelo Decreto de 2 de julho de 1825, dois anos após a vitória das suas armas, dominando e pacificando aquela influente Província. O Imperador concedeu-a ao Exército que expeliu da Bahia as tropas lusitanas!

Receberam a Medalha de ouro da Independência os três irmãos, da Casa da Torre: Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Barão de Jaguaripe, o Coronel de Linha Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Brigadeiro graduado, Barão e depois Visconde de Pirajá e o Coronel Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Barão e depois Visconde da Torre de Garcia d'Ávila.



A Casa da Torre de Garcia d'Ávila - 10 Gerações - (9 Morgados)

I - GARCIA d'Ávila, fundador da Casa da Torre, chegado ao Brasil na comitiva do 1o Governador Geral Tomé de Sousa, em 1549, foi nomeado "feitor e almoxarife da Cidade do Salvador e da Alfândega". Casou-se com Mécia Rodrigues, não tendo sucessão. Com a Índia tupí FRANCISCA RODRIGUES, teve:

II - ISABEL DE AVILA, casada em primeiras núpcias com o fidalgo genovês Gil Vicente de Vasconcelos. Falecido o marido, Isabel casou-se com DIOGO DIAS, filho de VICENTE DIAS DE BEJA, Fidalgo da Casa do Infante D. Luiz, natural do Alentejo - Portugal e de sua mulher GENEBRA ÁLVARES, filha de DIOGO E CATARINA ÁLVARES CARAMURU. Deste casamento, de Isabel de Avila com Diogo Dias de Beja, nasceu:

III - FRANCISCO DIAS DE AVILA, que usava o nome de FRANCISCO DIAS DE AVILA CARAMURU, Senhor da Torre de Tatuapara, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, que se casou com ANA PEREIRA GAGO, filha de MANOEL PEREIRA GAGO e de sua mulher CATARINA FOGASSA. Tiveram:

IV - GARCIA DE AVILA, Capitão de Ordenanças, Senhor da Casa Torre, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, casou-se com sua tia LEONOR PEREIRA. Tiveram:

V - FRANCISCO DIAS DE AVILA, Coronel de Ordenanças da Cidade da Bahia, Senhor da Casa Torre. Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, casou-se com sua sobrinha LEONOR PEREIRA MARINHO, filha de sua irmã CATARINA FOGAÇA e de seu marido VASCO MARINHO FALCÃO. Tiveram:

VI - GARCIA DE AVILA PEREIRA, Coronel de Ordenanças da Cidade da Bahia, Senhor da Casa Torre, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, casou-se com sua prima IGNACIA DE ARAUJO PEREIRA, filha do Capitão TOMÉ PEREIRA FALCÃO e de sua mulher IGNACIA ARAUJO. Tiveram:

VII - FRANCISCO DIAS DE AVILA, Mestre de Campo e Coronel de Ordenanças da Cidade da Bahia, Senhor da Casa Torre, Fidalgo da Casa Real. Cavaleiro da Ordem de Cristo, casou-se com CATARINA FRANCISCA CORRÊA DE ARAGÃO VASQUEANES, filha do Coronel FRANCISCO BARRETO DE ARAGÃO e de sua mulher CATHARINA CORRÊA DE SÁ. Tiveram:

VIII - GARCIA DE AVILA PEREIRA DE ARAGÃO, Coronel Mestre de Campo da Torre, professo na Ordem de Cristo, casou-se com ANA TEREZA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, filha do alcaide-mor da Bahia SALVADOR PIRES DE CARVALHO, não tendo filhos. Casou-se na segunda vez com , filha de CRISTÓVÃO DA ROCHA PITA e  JOSEFA MARIA DA CONCEIÇÃO LIMA, não deixando descendênciaPassou o Morgado à sua sobrinha:

IX - ANA MARIA DE SÃO JOSÉ E ARAGÃO, Senhora da Casa Torre, casada com seu primo o Capitão-mór da Cidade da Bahia e Alcaide-Mór de Maragogipe JOSÉ PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE. Era filha do Capitão-mor JOSÉ PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE e de sua mulher LEONOR PEREIRA MARINHO. Tiveram:

X - ANTONIO JOAQUIM PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE, que usava o nome de Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque Cavalcanti Machado de Avila Pereira *, Coronel do Regimento de Milícias e Marinha da Torre, Barão e depois Visconde da Torre de Garcia Dávila, com grandeza e último Senhor da Casa Torre, casou-se com sua sobrinha ANNA MARIA DE SÃO JOSÉ E ARAGÃO, filha de seu irmão o Coronel de Linha Brigadeiro Graduado JOAQUIM PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE, Visconde de Pirajá e de sua mulher MARIA LUIZA QUEIROZ DE TEIVE E ARGOLO.


FIM DO MORGADIO

Com a morte, a 5 de dezembro de 1852, do Visconde da Torre de Garcia d'Ávila - último Senhor e Morgado da Torre -, já extinto o regime de Morgadio no Brasil desde1835, não houve sucessão do Morgado, nem de seus anexos, por não mais existirem os vínculos.




*
"NOMES" do Visconde da Torre de Garcia d'Ávila

1 - "Antonio": Nome constante da Certidão de Batismo

2 - Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque” - Nome constante do Decreto Imperial de D. Pedro I, que criou o título de Barão da Torre de Garcia d'Ávila, identificado, nobiliarquicamente, como nome "oficial", para titulação, não impedindo que o titular usasse outros nomes de famílias das quais descendia, como era muito comum na época, até como prova para possíveis heranças.

3 - "Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque Cavalcanti Machado de Avila Pereira" Nome usado largamente pelo Visconde da Torre, identificando e registrando famílias ascendentes, como consta de inúmeros documentos oficiais, como procurações, requerimentos, atestados, registros de propriedades, etc.

1 - NOME DE BATISMO

- CÂMARA ECLESIÁTICA DA BAHIA:

Certidão de Batismo:
"Certifico que, revendo um dos livros findos de assentamentos de batizados da Sé, anos de 1782 a 1805, às fls. 150 consta o assentamento do teor seguinte: "Aos doze de fevereiro de mil setecentos e oitenta e cinco, nesta freguesia da Sé Catedral nas casas de vivenda do Capitão-mor Secretário de Estado José Pires de Carvalho e Albuquerque, de licença do Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo e de licença do Revmo. Cura Dr. José Caetano da Costa Nogueira, pôs solenemente os santos óleos o Revmo. Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque ao inocente Antonio, filho legítimo do dito Capitão-mor Secretário de Estado José Pires de Carvalho e Albuquerque e de sua mulher D. Ana Maria de São José e Aragão, batizado em perigo de vida pelo mesmo Revdo. Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque, assistiram as cerimônias o Revmo. Antonio Pires de Carvalho e Albuquerque e D. Isabel Joaquina de Aragão, por seu procurador José Pires de Carvalho e Albuquerque. Do que fiz este assento em que assinei. (Assinado) o Coadjutor Joaquim Teixeira Lisboa." Nada mais consta. Câmara Eclesiástica da Bahia, 21 de julho de 1941. (Assinado) Moisés Pinto Santos."


2 - NOME OFICIAL PARA TITULAÇÃO

Decreto de 01 de dezembro de 1822:
"Havendo respeito aos grandes merecimentos e distintas qualidades que concorrem na pessoa do Coronel Comendador Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Senhor da Torre de Garcia d'Ávila na Província da Bahia; e aos relevantes serviços que tem prestado com a maior honra, patriotismo, decidido entusiasmo em bem do Estado e gloriosa causa da Independência e Constituição do Império; e considerando também ser a Casa tal, por sua antigüidade e nobreza que os que nela sucederem me poderão sempre servir e aos meus Augustos Sucessores tão honradamente como deles espero, e o fizeram os de quem ele descende, cuja memória Me é muito presente; E por folgar outrossim que por todos estes motivos e pela muito boa vontade que tenho de lhe fazer Mercê (sendo por certo de quem ele é) Me saberá sempre merecer, continuando a prestar à Nação iguais serviços; Me praz e Hei por bem de lhe fazer Mercê, como faço, do Título de Barão da Torre de Garcia d'Ávila, elevando por este modo o Título de Senhorio de que de tempos antigos tem gozado a sua Casa e Família. Paço em o primeiro de Dezembro de mil oitocentos e vinte dois, primeiro da Independência e do Império."
Imperador D. Pedro I
José Bonifácio de Andrada e Silva

(Arquivo Nacional, Rio de Janeiro / Graças Honoríficas)


............



2 - NOMES DE USO
Exemplo de alguns DOCUMENTOS OFICIAIS:

- ARQUIVO NACIONAL:  

"NOTAÇÃO: 118A.009B

Requerente: ARAGÃO, Ana Maria de São José e PEREIRA, Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque Cavalcante Machado de Avila (Barão da Torre de Garcia D’Ávila) 
Objeto: Autorização de venda de propriedades por procuração

Localização: BA Datas-Limite:  1824-1825

N° de Fls.:  2
Obs.: Fazendas de gados e terrenos em Pernambuco / Ceará / Maranhão - Vide Também o processo 118A.009A
”. 



- ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA:

LIVRO Nº 4636 – TOMBO DA CASA DA TORRE

"Tem este livro duzentas e uma folhas numeradas e rubricadas por mim abaixo assinado para nele se lançarem obrigações que deverão passar todos, os que tomarem de renda ten.... pertencentes ao Morgado da Casa da Torre declarando o nome do Sitio ou Fazenda sua extensão extremas, em qual e ...... em que Capitania e a quantia, que deverão pagar de renda a mesma ...... cuja satisfação obrigarão suas pessoas e bens com toda a Segurança até com fiadores se houver desconfiança advertida que se o Rendeiro houver de tomar de renda mais de um sitio ou fazenda deverá passar de cada uma , obrigação com as mesmas condições da primeira cujas obrigações deverão ser assinadas em presença de duas testemunhas, e com elas o Procurador e a forma porque se devem passar os arrendamentos e obrigações dos rendeiros vão lançados na ultima folha deste livro.
Bahia 24 de Outubro de 1815.
Antonio Joaquim Pires de Carvalho Albuquerque Cavalcante d’Avila Pereira"


- ARQUIVO NACIONAL:

ATESTADO DE FORO DE FIDALGUIA, passado pelo Visconde da Torre (de próprio punho):

"Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque Cavalcanti Machado de Avila Pereira, Fidalgo Cavaleiro da C. de S. M. I., Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, Grande do Império, Gentil Homem da Câmara de S. M., Official da Imperial Ordem de Aviz, Comendador na de Christo, condecorado com a Medalha da Campanha da Bahia, Coronel dos Batalhões da 2a Linha da Torre, .........., atesto ..........
Bahia, 5 de Agosto de 1851.
Visconde da Torre de Garcia d'Ávila

(assinado e timbrado, com seu brasão de armas).


NOTA
: A divulgação de outros nomes de famílias, usados pelo Visconde da Torre, fornece importante informação relativa a ascendentes diretos e vinculados à Casa da Torre.


FONTES:
- JABOATÃO, Fr. Antonio de S. Maria. Catálogo Genealógico das principais famílias que procederam de Albuquerques e Cavalcantis em Pernambuco e Caramurus na Bahia. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol.LII e Notas de Pedro Calmon ao Catálogo.

- CALMON, Pedro. Introdução e Notas ao Catálogo Genealógico das principais Famílias, de Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão. Salvador, Bahia. Empresa Gráfica da Bahia, 1985. 2v, 809 p.
- SOBRINHO, Bulcão. Famílias Bahianas, vol. I.
- MOYA, Salvador de. Anuário Genealógico Brasileiro - Titulares do Império. Publicações do Instituto Genealógico Brasileiro. São Paulo, 1941 - ANO III. pp 482-502.
- CASTRO, Orlando Guerreiro de. Casa da Torre de Garcia de Avila, Varonia - Chefia - Representação. Rio de Janeiro, junho de 1961. 4 p.
- Livros Tombo da Casa da Torre. Arquivo Público da Bahia.
- Certidões de Cartórios. Diversas.


 Barão de Vila Viçosa e Santo Amaro da Purificação
 

 

Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque.
Nascido em 13-III-1841, em Santo Amaro - Bahia, ali faleceu a 19-V-1915.

Barão de Vila Viçosa, em 26-IV-1879.

Deputado Federal à Constituinte (1891) e primeira legislatura (1891-93). Escritor e musicista.

Filho de Inácio Pires de Carvalho e Albuquerque e D. Maria Violante de Mattos.



Foto CDAvila: Tela do Barão de Vila Viçosa, na residênca de seus descendentes, em Santo Amaro - Bahia.

...



Descendência
O Barão de Vila Viçosa deixou descendência natural, legitimada no Conselho Ultramarino.

Foto CDAvila: Tela da Sra Francelina Maria da Conceição, na residênca de seus descendentes, em Santo Amaro - Bahia.


Atividades de DEFESA TERRITORIAL
- Cronologia de alguns registros bibliográficos

Em 1587, Garcia d'Ávila (1o) - Senhor da Torre, diante das ameaças de invasão da Bahia por naus inglesas de Christopher Lister, mobilizou-se para enfrentá-las, rogando ao Bispo para que não abandonasse a cidade de Salvador. (História do Brasil - Frei Vicente Salvador, pg.331 - História da Casa da Torre - Pedro Calmon, pg.143.).

Em 24 de fevereiro de 1613, o Cap-Mor Baltazar de Aragão de Sousa, integrante da Casa da Torre e Governador da Bahia, morreu no mar, em combate contra cinco navios corsários franceses que ameaçavam a capitania. (Catálogo Genealógico - Frei Jaboatão, vol. 1, pg. 182). Através Provisão Real de 7 de setembro de 1613, - Francisco Dias d'Ávila foi nomeado Capitão do Distrito entre o Rio Jacuipe e o Rio Real, na Bahia. (Notícia Geral da Bahia - Sargento-Mor José Antonio Caldas - 1758, pg.144.).

Em 1624, logo atacada a Bahia pela esquadra holandesa, foi diligenciada a resistência pelo Bispo D. Marcos Teixeira, em reunião em Santo Amaro de Ipitanga, que contou com a presença da Legião da Torre de Garcia d'Ávila, apresentada para o combate sob o comando do Cel. Francisco Dias d'Ávila. (História da Casa da Torre - Pedro Calmon, pg.44).

Em 8 de junho de 1624, houve o apresamento de navio holandês, pela guarnição da Torre de Garcia d'Ávila e a entrega do seu piloto a D. Fradique de Toledo. (Jornada dos Vassalos da Coroa do Portugal - Lisboa 1625, pg.293 - Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, no 78).

Em maio de 1624, o Cel. Francisco Dias d'Ávila (1o), comandando sua Legião da Torre, deslocou - se para a cidade de Salvador e foi encarregado de atacar o Convento do Carmo então em poder dos holandeses, cumprindo sua missão. (História do Brasil - Frei Vicente do Salvador, pg. 517 - Citado na História da Casa da Torre - Pedro Calmon pg. 44).

Em 3 de dezembro de 1624, a Casa da Torre de Garcia d'Ávila providenciou a segurança necessária ao desembarque, no seu porto, dos reforços mandados por Matias de Albuquerque para a restauração da Bahia em poder dos holandeses. (História da Casa da Torre - Pedro Calmon, pg. 44). Ainda durante a guerra contra os holandeses, a Torre de Garcia d'Ávila aquartelou as tropas do Mestre de Campo Luis Barbalho em operações na Bahia. (História da Guerra Brasílica - Brito Freira, Lisboa, pg.427).

Em 29 de novembro de 1632, a Torre de Garcia d'Ávila (2o) acolheu e aquartelou com segurança, o exército do Conde de Bagnuollo em operações contra os holandeses (cerca de 3.000 soldados), durante mais de seis meses. (Revista do Instituto Arqueológico de Pernambuco, vol. 5 pg. 178). A Casa da Torre de Garcia d'Ávila, em 1634, serviu, também de presídio para internar marinheiros holandeses que abortavam as costas da Bahia. (Brasil Holandês - Barléus, pg. 78).

Em 1648, atendia o Capitão Garcia d'Ávila(2o) - Senhor da Torre, a uma sumaca que dera em Sergipe. (Docs. Hist. vol. III, pg.26 - Hist. da Casa da Torre, P. Calmon, pg.74)

Em 1668, o governo da colônia resolveu estabelecer um sistema de avisos entre as povoações litorâneas, com vistas à segurança da costa. Garcia d'Ávila (2o) encarregou-se desse serviço, combinando os fachos do seu baluarte com as aldeias de S. João, Espírito Santo, Rio Vermelho e Itapoã. (História Territorial - Felisbelo Freire, pg.190 - cit. Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.75).

Em 1702, a Torre de Garcia d'Ávila sediava um Regimento de Auxiliares composto de três Companhias, sob o Comando do Cel. Garcia d'Ávila Pereira (3o). Esta tropa guarnecia a costa da Bahia entre o Rio Real e o Rio Vermelho. (História da Casa da Torre - P. Calmon, pg. 130).

Em 1702, o Governador - Geral D. Rodrigo da Costa escrevia ao Cap. Garcia d'Ávila Pereira - Senhor da Torre, solicitando que este construísse a suas custas um novo forte de pedra e cal, em lugar do antigo forte da Praia, que tinha desaparecido com os anos. O novo forte foi construído à custa da Casa da Torre. (Carta a Garcia d'Ávila (3o) - Anais do Arquivo Público da Bahia vol. VI, pgs.157,158 - Docs. Hist. vol. XL, pg.180, 23 - ago - 1704 - cit. Hist. da Casa da Torre, P. Calmon, pg.150).

Em 2 de novembro de 1710, o Governador da Colônia D. Lourenço de Almada, em vista de agressões francesas, considerando a Torre de Garcia d'Ávila como responsável pela segurança, recomendava o empenho da mesma Torre na vigilância da costa. (Docs. Hist. vol. XLI, pg.276 - cit. Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.133).

Em 1712, a Torre de Garcia d'Ávila mandou homens para a construção do Forte do Rio Vermelho, em Salvador. (Docs. Históricos vol. XLII, pg.19 - Hist. da Casa da Torre - P. Calmon -, pg. 132).

Em 1717, a Torre de Garcia d'Ávila providenciou o salvamento dos náufragos do navio "Porto", soçobrado entre Itapoã e Jacuipe, em Salvador. (Docs. Históricos, vol. XLIII, pg. 170 - Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.136).

Em 1720, Garcia d'Ávila (3o) diligenciou o salvamento dos náufragos do navio "São Pedro dos Açores", afundado nas costas da Bahia. (Docs. Históricos vol. XLIII, pg.339 - Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.137).

Em 1739, o Regimento de Auxiliares da Torre de Garcia d'Ávila era constituído de efetivo, sendo recriado por Provisão Real de 21 de abril, com o nome de Terço de Auxiliares da Torre. (História Militar do Brasil - D. José de Miralles, pg. 173 - cit. Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg. 150).

Por Patente de 12 de nov. de 1753 o Cel Garcia d'Ávila Pereira de Aragão (4o) foi nomeado Mestre de Campo do Terço de Auxiliares da Torre. (Hist. da Casa da Torre - Pedro Calmon, pg.155).

Em 1758, o Terço de Auxiliares da Torre, sediado na Torre de Garcia d'Ávila e subordinado ao Governo Militar da Colônia, como integrante da Guarnição da Cidade do Salvador, tinha a seguinte constituição: Doze Companhias, um Mestre de Campo, um Sargento-Mor, quatro Ajudantes, onze Capitães, doze Alferes, vinte e quatro Sargentos, perfazendo um total de 1223 homens. (Notícia Geral da Bahia - Sgto.Mor José Antonio Caldas - cit. Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, no 57, pg. 117).

Ainda em 1758, como constatação do aspecto militar profissional do Terço de Auxiliares da Torre, a despesa anual com pagamentos feitos pelo erário da Coroa aos seus oficiais, somava a quantia de 268$000. (Notícia Geral da Bahia - cit. Do Sgto Mor J. A. Caldas - 1758).

Em outubro de 1776, ante a aproximação de uma esquadra espanhola atacante, o Mestre de Campo da Torre de Garcia d'Ávila (4o), deslocou-se com oitocentos homens para o Rio Vermelho, para combate, mediante ordem do Governador - Geral Manoel da Cunha Meneses. (Carta de 8-out-1776 - Biblioteca Nacional - cit. Hist. da Casa da Torre, P. Calmon, pg.154).

Em 23 de novembro de 1803, uma Provisão do Príncipe Regente D. João ao Cap. Gen. Francisco da Cunha Meneses Governador da Capitania da Bahia, pedia parecer sobre o pedido de Felipe Neri da Silva, para Capitão Joaquim Pereira Salgado, do Regimento de Milícias da Torre. (Anais da Biblioteca Nacional, vol. 97, 1977, pg. 155).

Em 12 de julho de 1805, Portaria do Cap. Gen. Francisco da Cunha Meneses, Governador da Capitania da Bahia, para o Vedor Geral do Exercito, ordenando que mandasse assentar que o Cel. Manoel Joaquim de Mattos, ajudante de ordens do Governo se achava encarregado da inspeção dos dois Regimentos de Milícias da Marinha da Torre e da Ilha de Itaparica. (Anais da Biblioteca Nacional, vol. 97, 1977, pg.250).

Em 30 de janeiro de 1806, mediante Aviso do Visconde de Anadia, o Regimento de Milícias da Marinha da Torre foi reduzido em seu efetivo, a um só Batalhão de Caçadores sob o Cmdo. do Cel. Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Visconde da Torre de Garcia d'Ávila. (Anais da Biblioteca Nacional vol. LXVIII, pg.150 - cit. Hist. da Casa da Torre, P. Calmon, pg.176).

Em 1812, como integrante do Corpo Militar da Colônia, na Bahia, a tropa de Caçadores Milicianos da Torre já estava constituída de dois Batalhões comandados por dois majores, tudo sob o comando do Cel. Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Visconde da Torre de Garcia d'Ávila. (Almanach para a Cidade da Bahia - 1812, pg.137).

Em 1812, era Capitão-mor da Cidade de Salvador, de Ordenanças subordinadas às Repartições do Exercito, cargo militar, o Cap. Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Barão de Jaguaripe, um dos três representantes principais da Casa da Torre na guerra pela Independência na Bahia. (Almanach para a Cidade da Bahia - 1812, pg.148).

Em 1817, o Cel. Bento Lopes Vilas Boas, do Regimento Miliciano da Vila de São Francisco, atestando em favor do Cap. Pedro Ribeiro de Araújo, manifestava que, por ofício de 7 de outubro de 1810, do Conde dos Arcos - Governador da Bahia, para organizar o Regimento supracitado, iriam servir no mesmo Regimento as duas Companhias de Cajueiro e Sant'Ana de Catu, então agregadas ao Regimento da Torre. (Ver. do Inst. Geogr. Hist. da Bahia no 86, pg.382 - 1976/77 - "O Novo Iphto, Intrépido Ribeiro" - Clemente Mariani).

Em 1817, consta outro atestado em favor do Cap. Pedro Ribeiro de Araújo, passado pelo Ten. Cel. Ref. e ex-Sargento-Mor das Milícias do Regimento e Corpo de Caçadores da Torre. ( Rev. do Inst. Geogr. Hist. da Bahia, no 86 - 1976/77, pg.381, obr. Supra Clemente Mariani).

Ainda no mesmo artigo anterior: "Verifica-se, da fé de ofício do Cap. Pedro Ribeiro de Araújo, que ele servira a partir de 2 de outubro de 1793 como Capitão de Cavalaria de Milícias de Cachoeira, passando em 13 de fevereiro de 1808 para a Legião da Torre e em 13 de maio de 1811 ao recém criado Regimento de Cavalaria Miliciana de São Francisco". (Rev. do Inst. Geogr. Hist. da Bahia, no 86, pg.381, 1976/77, obr. cit. Clemente Mariani).

Em março de 1822, ainda não iniciada a guerra pela Independência na Bahia, foi a base de operações da Torre de Garcia d'Ávila o primeiro reduto a acolher militares brasileiros revoltados e desertados do Forte de São Pedro em Salvador, que já se antecipavam ao movimento patriótico. (Inquérito Militar por ordem do Gen Madeira de Mello - Hist. da Casa da Torre, P. Calmon, pgs. 85 a 106).

Em 1823, o Cel. Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Visconde de Pirajá, foi o primeiro chefe militar brasileiro, comandante do Exército Libertador. Avançou com o seu Regimento, vindo do recôncavo para ocupar o sítio de Pirajá, em excelente posição para a batalha que em seguida se desenrolou. (Revista do Inst. Geogr. Hist. da Bahia, no 49, pg.241 - "A Batalha de Pirajá" - Miguel Calmon du Pin e Almeida).

Em 1823, levado por sentimentos patrióticos na guerra da Independência na Bahia, Ignacio Pires de Carvalho e Albuquerque, integrante da Casa da Torre, pai do Barão de Vila Viçosa, forma, também, outro esquadrão de Cavalaria de 400 praças, todas voluntárias, igualmente fardadas e equipadas à sua custa. (Diário Oficial do Estado da Bahia - Edição especial do Centenário - 1922, pg.342, "A Villa de Santo Amaro e a Independência").

Em março de 1823, desembarcou no porto da Torre de Garcia d'Ávila, o Batalhão do Imperador, que se deslocava para a Guerra da Independência na Bahia, sendo ali aquartelado, aprovisionado às custas do Morgado da Torre. (Ver. do Inst. Geogr. Hist. da Bahia, no 72, pg. 23 - Depoimento do Cap. Antonio Muniz de Sousa).

Em 10 de junho de 1823, o Conselho Interino de Governo da Província da Bahia, recomendava ao Comandante do Distrito e da Marinha da Torre que era o Cel. Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, em nome de Sua Mag. Imperial, o recrutamento do pessoal necessário ao aumento da tripulação dos vasos de guerra da Divisão da Esquadra Nacional, sob Comando do primeiro Almirante Cochrane, surta no Morro de São Paulo. (Anais do Arquivo do Estado da Bahia, vol.41, 1973, pgs. 109/110).

Em 1823, levado por sentimentos patrióticos, na guerra da Independência na Bahia, Ignacio Pires de Carvalho e Albuquerque, integrante da Casa da Torre, pai do Barão de Villa Viçosa, forma, também, outro esquadrão de Cavalaria de 400 praças, todas voluntárias, igualmente fardadas e equipadas à sua custa. (Diário Oficial do Estado da Bahia - Edição especial do Centenário - 1922, pg.342, "A Vila de Santo Amaro e a Independência").

Em 1823, na Guerra pela Independência na Bahia, a Torre de Garcia d'Ávila colocou no teatro de operações as seguintes unidades orgânicas: Dois Batalhões nominados Batalhões da Torre, constituídos cada um de quatro Companhias, subordinados à 4a Brigada; uma Companhia de Voluntários subordinada a 5a Brigada e, ainda, uma Companhia de Cavalaria chamada da Torre, orgânica da 6a Brigada. (Ver. Do Inst. Geogr. Hist. da Bahia, no 49, pgs. 8 e 144 - "Paraguassú", Maj. Santos Titara).

O efetivo de tropas diversas, na Guerra pela Independência na Bahia, sob o comando dos oficiais da Torre de Garcia d'Ávila, foi de 3.000 (três mil homens). (Ver. do Inst. Hist., digo Geogr. Hist. da Bahia, no 49 - "A Batalha de Pirajá", Miguel du Pin e Almeida, pg.245).

Pelos destacados serviços prestados à Independência do Brasil, na Bahia, os três irmãos, representantes da Casa da Torre de Garcia d'Ávila, foram agraciados com a Medalha de Ouro da Independência e com os títulos de: Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, Visconde de Pirajá e Barão de Jaguaripe. (Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.191).

Em fins de 1823, Visconde de Pirajá foi designado Comandante das Armas da Província do Ceará. (Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.184). Em 13 de abril de 1831, o Visconde de Pirajá foi nomeado Comandante das Armas da Província da Bahia. (Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.194).

Em fevereiro de 1832, eclodiu movimento sedicioso contra o Império, intitulado "A República do Guanais" ou "Revolução do Guanais". O Visconde de Pirajá partiu para o enfrentamento dessa revolta, instalando seu quartel-general na cidade de Santo Amaro e designando uma expedição pacificadora para a cidade de São Felix - local da sedição.

Em 27 de fevereiro desse ano, o Visconde fez proclamação sobre tais acontecimentos. (Hist. da Casa da Torre - P. Calmon, pg.195)

Em 1838, voltavam à luta os efetivos da Torre, em defesa do Império, para combater a revolta intitulada "A Sabinada". Sob o Comando do Visconde de Pirajá essa tropa, paga pelo governo, era constituída de dois Batalhões, formando a 2a Brigada. Além de muitas perdas, foi ferido em combate o Cmt. - Visconde de Pirajá. (Carta do Visconde cit. ao Imperador, de 21 de junho de 1838 - Arquivo do Inst. Hist. Geogr. Brasileiro - Hist. da Casa da Torre, P. Calmon, pg.200).


 


Cartography (National Archives of Canada)



1540


1596


1597


1652

 

 


Glossário

CASA: Usada nos diversos sentidos:
- Instituição - no sentido genealógico: "raça, família, falando das famílias nobres, das famílias grandes". Ex.: Casa Imperial, Casa da Torre, Casa da Ponte.
- Propriedades: "bens móveis, semoventes e imóveis de uma família". Ex.: A Casa da Torre se estendia da Bahia ao Maranhão.
- Habitação: "prédio, solar, casa residencial, casa comercial, ou casa forte, castelo, torre ". Ex.: A Casa da Torre, ou o Solar da Torre - a casa fortificada dos Avilas.

TORRE: É empregado, também, em todos os sentidos de "Casa".
- Instituição: no sentido genealógico: Ex.: Os descendentes da Torre.
- Propriedades: "edifício forte fabricado em alguma parte, para se acolherem n'elle do inimigo, e de lá ofenderem; ou casa forte, castelo". Ex.: A Torre de Garcia d'Ávila se estendia da Bahia ao Maranhão.
- Habitação: A Torre de Garcia d'Ávila foi construída em 1551 por Garcia d'Ávila e concluída pelo seu neto e herdeiro Francisco Dias de Avila.

CASTELO: no sentido "habitação senhorial fortificada".

MORGADO / MORGADIO: Têm, estas palavras, dois sentidos:
- Instituição, propriedades: "Conjunto de bens vinculados, que não podiam ser alienados ou divididos, e que, por morte do possuidor, passavam ao filho mais velho - o primogênito -, na mesma ordem e forma que o instituidor tinha declarado". Ex.: O Morgado (ou Morgadio) da Torre se estendia da Bahia ao Maranhão.
- Pessoa: Filho mais velho, o primogênito, a quem cabia todas as prerrogativas e bens vinculados. Ex.: O Coronel Comendador Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Barão da Torre de Garcia d'Ávila elevado depois a Visconde e com Grandeza, foi o último Morgado da Torre (ou da Casa da Torre). Obs: O regime de Morgadio, no Brasil, foi extinto em 1835.

SESMARIA: Dava-se este nome às doações de terras, que estavam abandonadas, ou das quais os respectivos senhorios, depois de avisados, não cuidavam. A Coroa dava então estas propriedades de sesmarias, ou permitia que as Câmaras as dessem, pagando o sesmeiro (o que ficava possuindo) a sexta parte dos frutos. A sexta parte chamava-se primeiramente sesma, e depois o sesmo (o sexto).

(VIEIRA, Domingos. Grande Dicionário Portuguez - Thesouro da Lingua Portugueza, Editores Ernesto Chardron Bartholomeu H. de Moraes, Porto, 1871. vol. II p.130, vol. II p. 137 e vol. V p. 774).




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HISTÓRIA
 

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Christovão de Avila
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