Quarta-Feira, 04 de junho de 2000

Artigo / A Casa da Torre de Garcia D'Ávila

*Christóvão de Ávila Pires

A história da Casa da Torre se insere na própria história nacional, como um dos mais interessantes assuntos do período colonial do Brasil, tendo como mais antiga raiz no Brasil Diogo Álvares Caramuru e Catarina Paraguassu. Quem primeiro se aprofundou no seu estudo foi Pedro Calmon, produzindo sua História da Casa da Torre - Uma dinastia de Pioneiros, apresentada em 1931 ao congresso realizado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, merecendo o aplauso e a aprovação.

Hoje, apesar da farta documentação existente e já bibliografada, por ter, ainda, muitos escritos ocultos e inéditos, desperta grande interesse de pesquisadores e da sociedade brasileira e até estrangeira, tocante, também, a aspectos políticos e sociais, ocasionado, algumas vezes, a exploração de certos temas polêmicos.

Parece um paradoxo. Entretanto, a história é paciente, espera o debelar de paixões, filtra versões e consagra fatos e, com o avanço do tempo, mais nítidos vão ficando os episódios vividos.

Atualmente, um programa, que teve a iniciativa e o acompanhamento do projeto pelo Centro Cultural e de Pesquisas do Castelo da Torre, visando a restauração do castelo da Torre, vem sendo desenvolvido pela Fundação Garcia D'Ávila, que é a proprietária do monumento e das áreas adjacentes, em parceria com as fundações Luís Eduardo Magalhães e Roberto Marinho e com a participação do estado da Bahia, do governo federal e de empresas. Viabilizado graças ao decisivo apoio do senador Antonio Carlos Magalhães, prenuncia outras providências mais abrangentes, de irrecusável difusão, tudo a benefício da memória verdadeira e da justeza dos conceitos histórico-culturais da Casa da Torre e do emergente turismo histórico internacional, que se desenvolve ao longo da imponente Linha Verde, litoral norte da Bahia.

Este monumento nacional - Castelo da Torre -, principal sede do morgado da Torre, tombado pelo Iphan, em 1938, como monumento nacional e considerado a primeira grande edificação portuguesa no Brasil e único exemplar da arquitetura estilo medieval na América Latina, deverá se consolidar nos moldes de um verdadeiro Parque Histórico da Casa da Torre. De valor gentílico inquestionável e inúmeras vezes pensado e discutido, deverá guardar, com a irrecusável e formal garantia de sua continuidade e perenização, para a memória de todos os baianos, o orgulho dos seus autênticos fastos e efemérides, que se inseriram profundamente nos Anais da Bahia e do Brasil.

Nesse momento, algumas atividades culturais se desenvolvem, destacando-se uma série de quatro programas de televisão, em fase final de projeto e captação de recursos, que já tem o compromisso de apresentação da Rede Brasil de TV Educativa, com a apresentação de Fernanda Montenegro e roteiro e direção de Luiz Fernando Goulart. O epicentro dessa saga será o próprio Castelo Garcia D'Avila, em Praia do Forte e se estenderá também a locais relacionados com sua história de mais de três séculos, especialmente no entorno da nossa primeira capital - a Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos.

Associando-se às comemorações do quinto centenário do nosso descobrimento, está em preparação, pelo CCPCTorre, a exposição Heráldica colonial da Bahia - Origens do Brasil, que já conta com o apoio da Académie Internationale d'Héraldique, reunindo brasões de armas de personalidades e de famílias e instituições vinculadas com a Casa da Torre, que fazem parte do Armorial Histórico, incluído pela AId'H, no programa da Europa como a mais importante coleção não só do Brasil, mas de todo o Novo Mundo.

Paralelamente, o considerável acervo documental, museológico, iconográfico e de fontes bibliográficas, que vem sendo coligido nos últimos 50 anos, já constitui o Centro de Memória da Casa da Torre, que está sendo formatado para sua disponibilização através da internet e cujo funcionamento será contínuo e incansável.

O ponto de partida para esse renascimento da Casa da Torre foi a construção da Linha Verde, conhecida como estrada ecológica, inaugurada em fins de 1993, ocasião em que, em seu discurso, o então governador Antonio Carlos Magalhães lembrou as Bandeiras dos baianos, conquistadores do Nordeste: "...

A história do Brasil está sendo reescrita! Há exatamente 445 anos, o rei de Portugal - D. João III - assinava o Regimento de 17 de dezembro de 1548, entregue ao primeiro governador geral Tomé de Sousa. Seguindo este mesmo caminho, partindo da colina de Tatuapara, por aqui passaram os conquistadores e colonizadores do Nordeste, liderados por Garcia D'Ávila, seguindo o plano de ocupação do Brasil...".

(*) Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e do Rio de Janeiro e neto em 12º grau de Garcia D'Ávila

(http://www.casadatorre.org.br)