Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 1999


Missa lembra valor histórico da índia Catarina Paraguaçu


Celebração foi realizada na igreja da Graça, onde o corpo da esposa de Caramuru foi sepultado

Quatrocentos e dez anos se passaram desde a morte da índia Catarina Paraguaçu. Para comemorar a data, familiares e membros da comunidade em geral realizaram, na manhã de ontem, uma missa solene na Igreja da Graça, onde o corpo da esposa de Caramuru está sepultado. Considerada um dos maiores símbolos femininos da história do país, por ter exercido um papel fundamental na integração das raças que formaram o povo brasileiro, Catarina Paraguaçu foi lembrada durante a celebração religiosa - coordenada pelo Dom Abade Manoel do Amaral e por D. Bernardo - como a mãe das mães brasileiras, o esteio e a origem da família no país. Durante a missa, membros da família presente fizeram a doação de uma cópia do brasão da ermida de Nossa Senhora da Graça, do Armorial Histórico da Casa da Torre, para a paróquia.

De acordo com o neto em 13º grau da heroína brasileira, o historiador Christovão de Avila, a maior importância nessa comemoração está relacionada ao resgate histórico do berço da sociedade nacional. "Inúmeras pessoas conhecem a figura de Catarina Paraguaçu (batizada em Saint-Malo, na França, como Catherine du Brésil ou ainda Catarina Álvares Caramuru), mas não têm a dimensão do seu papel na construção dos nossos costumes, da nossa vida social", ressalta. Para o historiador, a festa dos 450 anos de Salvador e a homenagem a essa grande mulher no Carnaval são ótimas oportunidades para que a história seja levada ao conhecimento de todos.

A missa do aniversário de morte da índia Catarina trouxe ainda como novidade o anúncio da restauração da Igreja da Graça e da Casa do Castelo Garcia D'Avila, na Praia do Forte. Esse último local mereceu referência, em virtude da união das famílias de Diogo Álvares Caramuru e Garcia D'Avila, através do casamento do neto do primeiro com a filha do último.

Relação com a igreja é explicada

A estreita relação entre a índia Catarina Paraguaçu e a paróquia da Graça teve início em 1.530, quando a esposa de Caramuru teve um sonho onde ela via, numa extensa praia, um navio destroçado com náufragos tremendo de frio e morrendo de fome. Junto aos marinheiros estava uma mulher branca e fascinante, que segurava uma criança no colo.

Sabendo do sonho da esposa, Diogo Álvares mandou que a costa fosse explorada. Na primeira tentativa nada foi encontrado, como o sonho persistia, Caramuru insistiu nas buscas e por fim encontrou um grupo de 17 navegantes espanhóis, que garantiram não haver presença feminina naquela embarcação.

Na noite que voltou para a família em Vila Velha (local onde estão hoje a Graça e a Vitória), Caramuru soube que a esposa havia sonhado de novo com a senhora. A dama lhe pedia que fosse buscá-la para sua aldeia e para que ela construísse uma casa. Finalmente, Diogo encontrou, numa oca de um índio, uma imagem da Virgem Maria com o menino Jesus nos braços. A imagem havia sido recolhida na praia e hoje adorna o altar-mor da paróquia da Graça.


Patrimônio:

 

(http://www.casadatorre.org.br)